quinta-feira, agosto 11, 2005

Saudosismo...

Hoje estava teclando com a Rê e falamos sobre coisas boas da infância. Como eu queria voltar a ser criança. Mesmo que eu não pudesse mudar nada na minha vida, dormir no colo da minha mãe seria meu melhor presente.
Essa coisa de crescer, envelhecer e nos afastarmos de quem a gente ama mexe muito comigo. Às vezes fico horas olhando pro além e pensando o que será de mim quando eu for sozinho no mundo. Mesmo que a coisa mais natural do mundo seja nascer, crescer, perder, procriar, envelhecer e morrer, nada vai me fazer deixar de ser saudosista com as pequenas coisas da minha infância:

- me afogar mamando e vomitar até pelos ouvidos, ficar roxo de falta de ar e quase matar minha mãe de susto;
- me pendurar no berço, aos berros, querendo atenção (estrela desde sempre);
- viver com a testa roxa de tanto cair de cara no chão;
- dançar de meia e cair de beiço no chão: 7 pontos e chamar a enfermeira do HPS de puta aos 5 anos;
- minha mamadeira azul com um buraco no meio para por a mão;
- fazer sessão de fotos dando discurso, dentro de uma caixa e com uma panela na cabeça,
- ir sozinho, a pé, para o colégio na 1ª série, enquanto minha mãe me seguia escondido para checar se eu olhava pros lados ao atravessar a rua;
- ter a minha merendeira amarela,
- ter meus livros encapados com papel de presente ou plástico;
- usar galochas em qualquer sinal de chuva;
- sair de manhã pro colégio com 5896457 blusões e casacos e voltar de manga curta derretendo;
- chegar do colégio e ouvir o barulho da panela de pressão com feijão novinho;
- comer muito bolinho de arroz, o melhor do mundo, e ter que ir oferecer para a Gaby todas às vezes;
- ouvir sempre o mesmo lembrete antes dos passeios do colégio: "não apronta e não deixa ninguém comer tuas coisas";
- ter as unhas da mãe cravadas na minha orelha por eu atravessar correndo na frente de um carro;
- ter a mesma observação nos boletins do jardim a 8ª série: não conversar em aula;
- pegar filhotinho de passarinho caído depois da chuva e criar durante o verão todo,
- voltar do colégio recolhendo bicho sem dono;
- ter meus dentes moles arrancados com linha presa na porta e meu pai "deixando" a porta bater quando eu ficava distraído;
- encontrar dinheiro embaixo do fogão quando deixava os dentes de leite lá;
- encontrar meus presentes de aniversário escondidos debaixo da cama;
- ter que fazer por merecer meus míseros cruzeiros, cruzados e reais;
- chorar na sacada da casa da vó esperando a mãe chegar do centro;
- dormir no ônibus na ida e na volta das inúmeras idas ao centro com a mãe;
- comer cachorro quente puro pimentão nas Americanas depois de 6 horas na muvuca com a minha mãe;
- ajudar o pai a fazer a cozinha e o banheiro;
- comer goiaba no pé, araçá e amora na casa da vó Dora;
- dormir com os cachorros e gatos na casa da vó Jura;
- esconder as notas vermelhas;
- declamar o verbo To Be pela casa no primeiro mês de inglês;
- comer gemada que o pai fazia;
- dormir na volta da casa da vó todo domingo e ser carregado no colo até o terceiro andar pelo pai;
- "dirigir" no colo do pai na garagem;
- ir pro SOE uma vez por mês por bagunça ou por emburrar as colegas que não me davam beijo na boca;
- dormir cheirando a camisola da minha mãe;
- meu pai me convencendo a comer salada;
- ter como castigo mor comer uma fatia de queijo e um copo de leite;
- fazer de uma garrafa de whisky cortada meu primeiro aquário;
- derramar suco no prato para não comer o bife de fígado "que é bom pra anemia, meu filho";
- me perder no supermercado e ir para casa sozinho aos 6 anos, mais uma vez quase matando minha mãe de susto pela segunda vez;
- imitar os Menudos pra metade do bairro;
- guerrinha de bixiguinha na Getúlio;
- só poder brincar depois das 15h por causa do horário de silêncio;
- ter que dormir a tarde para a minha mãe poder limpar a casa, todos os dias;
- ouvir um "Adriaaaaaaaannnnnnoooo, sobe agora" em alto e bom tom para todo o prédio ouvir;
- plantar feijão no algodão;
- dormir com meu urso quando tava triste;
- dormir sem dar boa noite quando tava brabo;
- receber beijo na testa ao pegar no sono;
- ouvir os vinis do mano escondido com medo de arranhar;
- assustar a Gaby com a música da Cuca;
- brincar de banco, escola e Playmobil no corredor do prédio;
- dormir sem me preocupar com minhas contas.

Saudade.

Mas minha adolescência foi muito boa também...um outro tópico virá.

2 Comentários:

Blogger Renata disse...

Esse teu post o pra mim tem um cheirinho de dedera de Nescau. Chorei ao ler. Te amo, como nossa infância tem coisa em comum.

10:28 PM  
Blogger Fernanda Souza disse...

Adorei! É mesmo, só que a minha dedera era de café com leite bem docinho e com um furo enorme no bico!
Engraçado que ficava imaginando todas essas situações com a tua aparência atual, tu assim, adulto!

Mas me ideintifiquei com muitas coisas.
Bjs

1:33 PM  

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